A TRAJETÓRIA DE PAULA PEQUENO Por Liliam Zidan DNA ESPORTIVO Diferente do que muitos imaginam, Paula Pequeno iniciou sua vida no vôlei a partir de uma arquibancada, como torcedora da modalidade. Aos 12 anos, ela assistia a uma partida de seu irmão Cláudio e mesmo lá da arquibancada, sua presença no ginásio não passou despercebida pelo técnico Jorge Gabiru, que, impressionado com sua altura, a convidou para uma seletiva da ASBAC – Associação dos Servidores do Banco Central, em Brasília.
O vôlei sempre esteve enraizado na família de Paula, começando por sua mãe Gercione Leite Marques, Gê, atacante do time de vôlei do Ministério da Educação – CAPES/MEC, que sempre levava os filhos para os jogos de final de semana. Em meados da década de 80 o vôlei brasileiro vivia um momento de solidificação com estrelas como Jacqueline e Vera Mossa. Nesta época, Paula tinha apenas três anos, mas já demonstrava curiosidade no esporte ao esticar os bracinhos dizendo “chechete, mamãe”, confirmando que já sabia aplicar a manchete. Além de se espelhar na mãe e no irmão para definir sua carreira, Paula teve o incentivo e apoio do tio Max, irmão de Gê. Tio Max, aficionado por esportes, foi fundamental para a consolidação da sua carreira, ele a levava para os treinos e acompanhava todos os jogos. DNA ARTÍSTICO - PREDESTINADA A CATIVAR O PÚBLICO As semelhanças entre Paula e Cláudio não se limitavam à paixão pelo esporte, os dois irmãos desfilavam como modelos para confecções infantis do Distrito Federal. Em sua estréia na passarela, aos quatro anos de idade, Paula cativou o público que a aplaudiu em pé, emocionados com sua desenvoltura e graça. Todos queriam saber quem era aquela criança tão carismática. A mãe, na platéia confessa que se emocionou ao ouvir os elogios, “mal conseguia respirar de alegria”. Ela recebeu mais convites e continuou a desfilar até os 12 anos – quando teve que fazer a escolha que definiria seu futuro no esporte. Atualmente, qualquer um que assista aos jogos com Paula Pequeno ao vivo ou pela TV fica cativado por seu carisma, presença, espírito de luta e postura em quadra, herança de uma família talentosa. DO PLANALTO PARA O MUNDO Em 1994, aos 12 anos começou a atuar pela “ASBAC-Associação dos Servidores do Banco Central” e aos 13 já estava na seleção brasiliense de vôlei. Em 1996, ainda em Brasília recebeu convite para testes nas equipes Nestlé, E.C.Pinheiros e BCN, em São Paulo. A mudança para São Paulo aconteceu no ano seguinte, quando ela entrou para o BCN. No mesmo ano mudou para a equipe Nestlé, atuando ao lado da jogadora Leila. Em 1998, Paula foi para o Dayvite, onde conheceu o técnico José Roberto Guimarães e dividiu as quadras com Ana Mozer, de quem já era fã incondicional. No ano seguinte, Paula retornou para o BCN, atual FINASA/Osasco, clube em que permanece até hoje. Aos quinze anos, a atleta treinou por seis meses com a seleção brasileira juvenil, mas a estréia com a “amarelinha” ocorreu aos 17 anos. Aos 18 anos recebeu sua primeira medalha pela como vice-campeã mundial. Em 2001, aos 19 anos sagrou-se campeã mundial na categoria adulta. A DOR DA HERÓINA Com uma carreira meteórica e apontada como a grande esperança do Brasil nas olimpíadas de Atenas, em 2004, Paula estava se preparando para desfilar seu talento na maior competição do planeta, quando uma lesão grave no joelho esquerdo a privou do sonho olímpico. Para Paula, pior do que ficar fora da competição, foi assistir pela TV a derrota do Brasil nas semifinais para a Rússia, onde o time esteve a um ponto de fechar a partida, mas foi superado pela frieza e disciplina das russas que viraram o jogo de maneira espetacular. O sentimento de impotência por estar distante de suas companheiras foi muito doloroso, e a cabeça de Paula se focou na recuperação e sua reintegração a seleção, que ocorreu em 2005. Alguns fãs dizem que se Paula estivesse lá, o time faria aquele último ponto e venceria a Rússia, fato este que Paula cordialmente nega já que conhece cada uma das talentosas atletas da seleção muito bem e sabe da qualidade do conjunto. A MELHOR DO MUNDO Em 2005, a reintegração de Paula Pequeno a seleção foi uma prova de fogo. Estaria ela recuperada do trauma causado por sua lesão? Ela e suas companheiras de seleção embarcaram para Sendai, Japão em busca do pentacampeonato do Grand Prix de vôlei feminino. O Brasil superou todas as equipes e levou o caneco, mas Paula ainda teria mais uma agradabilíssima surpresa; ela fora coroada a melhor jogadora do torneio, a MVP. FAMÍLIA A estréia de Paula nas quadras de vôlei, na verdade, foi em 1981, quando ainda morava na barriga da mãe. “Na época o vôlei era outro”, justifica Gê, com um sorriso de quem sabe que exagerou na dose ao jogar grávida de 8 meses, contrariando as orientações da comissão técnica e os pedidos do marido. Assim como a mãe, Paula jogou até o quinto mês da gestação de Mel – , “confesso que temia quando a Paula jogava grávida, especialmente nos mergulhos que dava para fazer os peixinhos”, disse Gê. Mel nasceu quinta-feira, 8 de Junho de 2006, seu pai e marido de Paula Pequeno, Alexandre Folhas, veio voando de Aracajú para ver a filha, ele disputava o pan-americano de Handebol na época. Hoje a família respira o esporte e Mel cresce saudável e feliz neste ambiente de conquistas. PRESENTE E FUTURO Mesmo com sua rotina puxada de treinamentos, viagens e jogos, Paula sempre cultiva o bom humor e o riso fácil, retratos de alguém que ama o que faz e o faz como ninguém. A mãe de primeira viagem é hoje a melhor ponteira do Brasil, e ainda nos trará muitas glórias. Vida longa a Paula Pequeno! |