Ponteira faz sua primeira temporada no exterior e tenta se adaptar a uma outra cultura, ao clima frio e, principalmente, ao time do Zarechie Odintsovo
Fonte: GloboEsporte.com - Por Carol Oliveira
Em 16 anos de carreira, Paula Pequeno tem um currículo invejável. Já foi eleita a melhor jogadora do mundo (2005 e 2008), tem uma medalha olímpica, inúmeros títulos com a seleção brasileira e muitos carimbos no passaporte. Apesar da experiência acumulada, a ponteira sente a ansiedade de uma iniciante. Na Rússia, onde faz sua primeira temporada no exterior, ela revive momentos de outros tempos, tentando se adaptar a uma cultura diferente, ao clima frio e, principalmente, ao novo grupo.
Desde novembro, quando se apresentou ao Zarechie Odintsovo, Paula lida com desafios dentro e fora de quadra. Os poucos treinos no clube exigem que a jogadora se esforce mais. Separadamente, intensifica a parte técnica e faz musculação. Nas ruas, ela ainda se surpreende com o tratamento "gelado" dos russos.
- Tem um grande número de pessoas muito mal educadas e grosseiras, mas existem poucas exceções - disse a atacante, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.
A presença da família (o marido Alexandre Folhas e a filha Mel) torna o ambiente muito mais ameno. As recentes amizades, como a com o jogador Léo Mineiro, também ajudam a tornar mais quentes os dias na Rússia.Tanto que Paula ainda não pensa em qual será o seu destino após o término do contrato.
- Quero fazer uma ótima temporada e atingir os objetivos do time. Depois penso nisso.
Jogando ao lado da central Walewska - também medalhista de ouro em Pequim -, a ponteira não se esquece de observar as rivais europeias para o confronto no Mundial do Japão, em novembro, quando a seleção brasileira busca o título inédito. E acredita no triunfo.
- É a nossa grande meta. Sei que vamos buscar o nosso sonho novamente.
GLOBOESPORTE.COM: Como está sua vida na Rússia?
Paula Pequeno: Está cada vez melhor e com a chegada da minha família tudo melhorou muito. Com eles por perto, tudo fica mais fácil.
Já se sente totalmente adaptada ao novo país?
Me adaptei muito bem, apesar da língua e do frio. A cidade que eu moro (Odintsovo) é muito bonitinha e muito bem estruturada. Com o tempo, a gente vai se acostumando.
Durante a adaptação, o que foi mais difícil?
Para mim, o mais difícil foi a falta da minha família no início, principalmente da Mel. Eu vim para cá direto da Copa dos Campeões, em novembro, no Japão, e eles só chegaram no final de dezembro.
Qual tem sido a maior dificuldade por estar fora?
Sinto muita falta de musculação e de treinos mais intensos, então tenho que compensar com treinos à parte. Mas aqui também jogamos muito, às vezes até três jogos por semana. Isso é muito bom para o ritmo de jogo.
Você foi para Rússia defender o Zarechie Odintsovo. Está gostando da estrutura, time, comissão técnica...?
O clube tem uma estrutura muito boa, uma das melhores que já vi. È tudo muito novo, organizado e moderno. O time é um pouco limitado, mas tem as suas qualidades. Quanto à comissão técnica, é simplesmente incomparável com o Brasil. A concepção é muito diferente, mas estou tentando me adaptar.
Como faz para se comunicar com os russos, já domina a língua?
Já falo muitas palavras em russo, mas sempre peço um “HELP” para o inglês, que para complicar mais, poucas pessoas falam inglês.
Já tem alguma pessoa que você considere amiga aí na Rússia?
Sim, o Léo Mineiro (atleta da equipe masculina do mesmo time), a Tenile (namorada do Léo) e o Denílson, um angolano que fala russo fluente. Eles me ajudaram muito no começo. Essas três pessoas são e serão para sempre muito valiosas para mim, porque nos piores momentos sempre estiveram do meu lado.
Nos momentos de folga, o que faz? Já foi aos pontos turísticos?
Conhecemos alguns restaurantes, shoppings e parques de diversão para Mel. Fomos a praça vermelha, visitamos o Kremlim e agora queremos muito assistir a um espetáculo do balé Bolshoi.
O que mais te encantou na Rússia? E o que você não gostou?
É a primeira vez que vivo no meio de tanta neve, e nos dias que faz sol acho tudo muito bonito. É uma paisagem diferente. O que eu não gosto é que tem um grande número de pessoas muito mal educadas e grosseiras, mas claro que existem algumas poucas exceções.
Sua filha está com você na Rússia. Como foi a mudança para ela?
Ela se adaptou muito bem e se encantou com a neve. Sempre que posso, saímos para passear e também brincamos muito em casa. Ela adora assistir aos filmes que trouxemos para ela e eu também me divirto junto.
Pelo que tem vivenciado, pretende renovar por mais um ano?
Ainda é cedo para falar nisso. Quero fazer uma ótima temporada e atingir os objetivos do time. Depois penso nisso.
Se voltar ao Brasil, não iria para outro clube que não fosse o Osasco, time que defendeu por 11 anos?
Iria sim para outro clube. Com a minha saída, não tenho mais vínculos.![]()
Tem acompanhado os resultados da Superliga?
Muito pouco, mas meu marido está sempre me informando de algumas notícias.
O ano de 2010 é muito importante para a seleção. Quais são as suas expectativas?
Minha expectativa é chegar muito bem fisicamente e preparada para o Mundial, que é a nossa grande meta. Sei que vamos buscar o nosso sonho novamente.
No exterior, você tem enfrentado muitas jogadoras de seleções rivais. Pelo que tem visto, quais as chances da equipe brasileira vencer o Mundial?
As chances são grandes, porque mesmo que as seleções estejam se renovando com boas jogadoras, a nossa também é muito boa, muito mais eficiente e versátil e ainda contamos com uma comissão técnica muito inteligente.
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